Geral

16/09/2020 14:44

SETEMBRO AMARELO

Vamos falar de resiliência? Incentivo deve vir de dentro de casa

Conceição Azêdo* - editoria@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

Dentro da temática suicídio, o que vemos descritos na literatura é que existe uma forte correlação deste com a depressão. Muitos depressivos pensam em acabar com a própria vida e muita gente acredita que o suicídio é um ato de extremo egoísmo pois quem deseja se matar não leva em conta a perda que parentes e amigos irão sofrer.

É importante ressaltar que o suicida não tem interesse em magoar. Ele simplesmente quer se livrar de uma dor que para ele é intolerável. Julgar um depressivo com vontade de se matar como um egoísta é um julgamento cruel. A percepção do suicida fica muito alterada pela doença e ele precisa ser amparado e amado.

Depressivos precisam de ajuda médica, remédios, terapia, muito carinho, compreensão, suporte espiritual. Depressivos não precisam ser julgados ou ignorados. Depressão não é doença contagiosa, embora a convivência com alguém deprimido possa nos afetar, principalmente quando amamos profundamente esta pessoa.

No texto anterior abordamos algumas causas que podem levar ao suicídio, e focamos a temática voltada a juventude, pois confesso que a mim gera inquietação, pensar que jovens e adolescentes que possuem um enorme futuro pela frente possam estar pensando em dar cabo de suas próprias vidas.

Mas, em todos os casos, é preciso avaliar: o que falta no conjunto dos elementos sociais (família, escola, sociedade) que não desenvolvem, ensinam, orientam, estratégias capazes de fazerem estes jovens superarem as frustrações naturais da idade e da vida?

Sabemos que a juventude é marcada por inúmeras transformações, que acabam por desencadear mecanismos de fragilidade, mas será que não é hora de tirarmos um pouco o foco daquilo que causa dor e andarmos em direção aquilo que supera essa dor?

E ESSA TAL DE RESILIÊNCIA?
Esse é um conceito emprestado da física que remete a capacidade do indivíduo em lidar com situações adversas, superar pressões, obstáculos e problemas, e reagir positivamente a eles sem entrar em conflito psicológico ou emocional.

Podemos afirmar, sem medo de errar, que há falta dessa disciplina importante na “vida escolar” e na “escola da vida”: a resiliência. Preocupamo-nos em dar o melhor aos filhos, as melhores condições de estudo, de casa, de roupas, os melhores equipamentos… cobramos e exigimos implacavelmente todo o esforço realizado em nome deles. Queremos as melhores notas, o melhor comportamento, o melhor feitio mas esquecemo-nos muitas vezes de fornecer-lhes os alicerces básicos para esta construção: amor, carinho e uma boa dose de exemplo. Sim, exemplo de paciência, de resiliência diante das dificuldades da vida.

Muitos jovens preferem a morte por não encontrarem mecanismos que façam superar os problemas do dia a dia. Foram orientadas a acreditarem que precisam ser perfeitos, ou que a vida sem alguém não faz sentido ou que não é possível reagir diante de uma ameaça, de uma violência.

Que possamos então, como sociedade, estimularmos esses jovens a conhecerem e praticarem mecanismos de superação e acima de tudo de valorização da vida!

Refletir sobre propósitos, sonhos, projetos, buscar entendimento que a morte não é a solução de nossos problemas ou dificuldades. E acima de tudo vislumbrar a superação de nossas batalhas, trará sobre nossa trajetória um prazer enorme, uma motivação incalculável.

Todos nós gostamos do sabor da vitória! Existe um dito popular antigo que traduz exatamente o conceito de resiliência: Caiu? Machucou? Não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Dificuldades nunca virão para nos destruir, mas sim para nos transformar! Que assim seja!


*O texto foi publicado originalmente na coluna Família, desta quarta-feira (16), como parte da campanha "O que me faz feliz?". Conceição Azêdo é pastora, capelã, conselheira e médica. Escreve artigos de opinião quinzenalmente para A Gazeta.

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