Geral

30/10/2019 17:01

AVIFAUNA

São Bento do Sul quer voar alto

Elvis Lozeiko - elvis@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

  • Município concentra 12,5% das espécies de aves fotografadas em todo o Brasil
  • Objetivo é desenvolver o turismo de observação
  • Soltura de aves é destaque em Área de Proteção Ambiental
  • Centro de Triagem de Animais Silvestres pode ser implantado
  • Outros programas têm relação com o tema

Em 5 de outubro foi comemorado o Dia das Aves. Em diferentes ambientes, é possível avistá-las, gravá-las, fotografá-las, filmá-las, admirá-las, contemplá-las. Na correria do dia a dia, muitas vezes não prestamos atenção nestas belezas que a natureza nos oferece. São Bento do Sul concentra consideráveis 12,5% das 1.888 espécies fotografadas no Brasil para o site WikiAves, uma das maiores plataformas colaborativas do gênero em todo o mundo.

Tamanha riqueza da avifauna, aos poucos, leva o município a ser organizar para, futuramente, ser um centro do chamado turismo de observação de aves. O prefeito Magno Bollmann (PP) é um entusiasta do projeto. De acordo com a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal Quiriri, a bióloga Leoni Fuerst, em 2020 pretende-se criar um Grupo de Trabalho na Comissão de Regionalização do Turismo por meio da entidade, para os primeiros passos, ou melhor, para os primeiros voos.

O diretor municipal de Meio Ambiente, o também biólogo Marcelo Hübel, explica que o objetivo é promover uma capacitação primeiramente com representantes de hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos, abordando a temática. "Depois disso, queremos fazer um trabalho de reconhecimento, para mapeamento de locais e espécies que podem ser encontradas", aponta.

Uma das ideias é interligar o tema a projetos já desenvolvidos, tais como o Acolhida na Colônia e, principalmente, o Circuito de Cicloturismo das Araucárias, que tem 248 quilômetros em São Bento, Rio Negrinho, Campo Alegre e Corupá, que integram o consórcio. Neste caso, observadores poderão aproveitar a estrutura de hospedagem, alimentação e entretenimento que já existe. "Temos um campo muito grande para avançarmos nesse sentido", expõe o biólogo Marcelo.

 

AOS INTERESSADOS

Marcelo relata quais são os equipamentos e os comportamentos necessários para quem deseja praticar a atividade. Roupas camufladas ou com tons mais discretos são importantes para que o observador não afugente as aves. Uma máquina fotográfica, claro, é indispensável. "Mas não precisa ser uma profissional, porque a pessoa consegue grandes fotos com máquinas mais simples", comenta.

Há quem prefira simplesmente gravar os sons da avifauna. Nesse caso, pode-se reproduzir a vocalização de determinada espécie – o playback –, atraindo exemplares com mais facilidade. Um binóculo ajuda muito. "Quem começar a praticar vai ver que trata-se de um passatempo gostoso", relata o diretor. Mesmo quem não pretende ir às matas e outros ambientes praticar a atividade pode observar as aves em casa mesmo, com a implantação de tratadores e bebedouros.

Saiba do que é preciso para se tornar um observador:

Agora, veja como é observar aves sem sair de casa:

GANHANDO A LIBERDADE

Na microrregião, há diferentes ambientes para as aves, das florestas fechadas às capoeiras, dos ambientes aquáticos aos campos de altitude. É em São Bento do Sul, porém, que os caminhos têm convergido para a atividade, principalmente por uma iniciativa em parceria com órgãos como o Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) e a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina. Esta ação consiste na soltura de aves em espaços localizados na Área de Proteção Ambiental (APA) Rio Vermelho/Humbold, uma unidade de conservação que corresponde a 48% do território são-bentense. Dentre as mais de 100 aves que ganharam a liberdade constam inclusive espécies consideradas raras, caso do Papagaio-do-peito-roxo,  ameaçado de extinção segundo a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Tais aves retornaram à natureza após procedimentos de tratamento e reabilitação, já que normalmente são irregularmente colocadas em cativeiro ou mesmo são alvo do tráfico animal. A vocação ambiental de São Bento do Sul inclusive pode levar o município a contar com um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), já que há estudos nesse sentido.

Confira mais sobre as solturas:

O WIKIAVES

Ninguém precisa ser biólogo ou ornitólogo para ter conhecimento sobre a avifauna. Basta criar uma conta no WikiAves (www.wikiaves.com.br) e encaminhar as fotografias. Os próprios moderadores e usuários da plataforma se encarregam de indicar qual a espécie registrada.

A partir de então, é possível ter acesso a inúmeras informações sobre a ave, tais como o nome científico, o município em que foi fotografada, a distribuição geográfica, a alimentação, a reprodução, os predadores, etc.

No site aparecem também as fotografias com as maiores pontuações – concedidas pelos próprios internautas – e o canto das aves. A plataforma tem, atualmente, 32.347 observadores de aves cadastrados, responsáveis por 2,9 milhões de registros fotográficos, de 1.888 espécies diferentes.

 

CRÉDITOS

Edição: Anna Carolina Azêdo

Vídeos: Anna Carolina Azêdo, Elvis Lozeiko e Marcelo Hübel

Fotos: Elvis Lozeiko

 

Confira algumas espécies fotografadas em São Bento do Sul na galeria

Tico-Tico

Suiriri-Pequeno

Sanhaçu-Frade

Sanhaçu-Cinzento

Saíra-Viúva

Saíra-Sete-Cores

Saíra-Preciosa

Saíra-Militar

Saí-Azul

Sabiá-do-Banhado

Sabiá-Coleira

Quiriquiri

Quero-Quero

Pitiguari

Picapauzinho-Verde-Carijó

Pica-Pau-Verde-Barrado

Pica-Pau-Dourado

Pica-Pau-do-Campo

Pica-Pau-de-Banda-Branca

Pica-Pau-Branco

Mariquita

Maria-Faceira

Jacuaçu

Gralha-Picaça

Gavião-Carijó

Garça-Branca-Grande

Figuinha-de-Rabo-Castanho

Curicaca

Coruja-Buraqueira

Chopim-do-Brejo

Caneleiro-de-Chapéu-Preto

Cais-Cais

Bico-de-Lacre

Benedito-de-Testa-Amarela

Beija-Flor-de-Papo-Branco

Avoante

Anu-Branco

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