Geral

02/09/2020 09:44

SETEMBRO AMARELO

"Quero morrer...": Atenção aos sinais que podem levar um jovem ao suicídio

Conceição Azêdo* - editoria@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

Forte essa afirmação inicial não? Pois é exatamente este sentimento que está inundando os pensamentos de milhares de pessoas neste momento. Estamos no mês de setembro e voltaremos a falar de combate ao suicídio. E trataremos este assunto em duas etapas, neste texto e no próximo.

Nas últimas décadas, vem ocorrendo o crescimento ininterrupto dos casos de suicídio no Brasil. Os números são especialmente preocupantes entre jovens. Em um período de 28 anos, houve um aumento de 30% nos casos de suicídio, taxa maior do que a média das outras faixas etárias. A taxa cresce por uma conjunção de fatores; a sociedade está cada vez menos solidária, o jovem não tem mais uma rede de apoio. Além disso, é desiludido em relação aos ideais que outras gerações tiveram de forma marcante.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está em oitavo lugar dentre os países com maior número de suicídios. Em 2013, contabilizou 11.821 suicídios (9.198 do sexo masculino e 2.623 do sexo feminino).

A descrença, gerada por uma trajetória repleta de desencontros e infelicidades, ajuda a explicar o que leva uma pessoa que já está na meia-idade a cometer suicídio. Quais seriam, então, as motivações de quem ainda conhece pouco da vida?

Gostaria neste espaço refletir um pouco sobre as motivações que levam um jovem, um adolescente a pensar em pôr fim a sua trajetória.

Podemos destacar como principais causas:

  • Depressão e outras doenças relacionadas, como a ansiedade;
  • Uso abusivo de álcool e outras drogas;
  • Bullying;
  • Violência sexual;
  • Violência doméstica.

Vale destacar, também, que alguém dificilmente se mata por conta de motivos “banais”, frequentemente apontados pelo senso comum, como fraqueza, covardia e afins. Diante de dificuldades duras e bastante concretas, muitos até recorrem ao uso inadvertido de remédios, atitude que pode piorar uma situação já delicada.

O comportamento suicida divide-se em 3 fases: pensar em suicídio, tentativa de suicídio e consumação do suicídio. O jovem que pensa em tirar sua vida, acredita que não existem soluções para os seus problemas e, normalmente, dá sinais de um desequilíbrio emocional, que pode passar despercebido por familiares e amigos, devido às características da adolescência, por exemplo.

E para evitar os pensamentos e o planejamento do suicídio em jovens, é importante ficar atento aos sinais que podem indicar que a pessoa está pensando em tirar a própria vida. Mudanças repentinas de humor, agressividade, depressão e o uso de frases, como: "estou pensando em me matar; o mundo seria melhor sem mim, eu não faria falta se não estivesse mais aqui ou tudo se resolveria se eu não estivesse mais aqui" também servem de alerta. 

Mas somente identificar estes sinais não é suficiente, e por isso, é muito importante buscar ajuda profissional, com um psicólogo ou psiquiatra, procurar também meios de estruturar as bases emocionais, correção de fatores de risco.

É muito importante nesse momento, não se omitir, não fingir que não está vendo o caos diante dos olhos. Na verdade, muitos pais têm sido bastante ausentes no conhecimento em saber lidar com este tipo de situação.

E até porque muitos sequer conseguem travar qualquer tipo de diálogo com seus filhos. Essa situação sem dúvida é bastante preocupante e precisamos olhar de forma muito cuidadosa no que se refere às emoções dessa juventude de nossos dias.

Deixo esse texto como alerta e na próxima quinzena tentarei trazer sugestões de auxílio, pois é muito importante todos nós entendermos que a vida é algo muito especial e valioso e como tal sempre deverá ser tratada!

E viva a vida!!!


*O texto foi publicado originalmente na coluna Família, desta quarta-feira (2), como parte da campanha "O que me faz feliz?". Conceição Azêdo é pastora, capelã, conselheira e médica. Escreve artigos de opinião quinzenalmente para A Gazeta.

Todos os direitos reservados para A Gazeta. Reprodução sem autorização é proibida.

Ajude-nos a manter um jornalismo sério e com credibilidade. Textos e fotos estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Se quiser repassar a notícia, compartilhe o link.