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01/09/2020 10:16

SETEMBRO AMARELO

Psicanalista fala sobre a importância do diálogo para prevenir o suicídio

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Robson conversou com A Gazeta por meio de videoconferência

Anna Carolina Azêdo e André Lima - editoria@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

  • Sentar na grama e ver o céu.
  • Fazer nada ou ter um dia produtivo de trabalho.
  • Ter um amor, saúde e momentos em família.
  • Andar de moto e sentir o vento no rosto.
  • Comer pizza de chocolate.
  • "Sextar" assistindo ao pôr do sol.
  • Um bom livro para ler e um cafuné.
  • Viajar e praticar o bem.

Estas são algumas das respostas dadas pelos leitores de A Gazeta quando foram questionados sobre o que fazia eles felizes. O que me faz feliz? Quando a pergunta é feita, é difícil encontrar alguém que não relacione a felicidade com momentos tranquilos de alegria. A arte, cultura e até as relações sociais são os laços que mais se envolvem nisso. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, muitos desses momentos se tornaram mais raros.

O isolamento e o distanciamento social são as principais recomendações para evitar o contágio, o que acaba afastando algumas famílias. Já atividades de lazer, como futebol entre amigos, cinema e festas estão suspensos em Santa Catarina desde março. Com esse momento de incertezas, a saúde mental das pessoas acaba sendo comprometida. Entre as consequências que isso pode trazer está a depressão e até mesmo o suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mil pessoas morrem de suicídio todos os anos. Uma parcela deste número envolve jovens entre 15 e 29 anos. Segundo a OMS, esta é a segunda maior causa de morte entre eles.

O psicólogo e psicanalista Robson dos Santos Mello, que atua há mais de 20 anos em consultórios de São Bento do Sul e Curitiba, relata que não se lembra de um ano em que não tenha escutado histórias tristes sobre suicídio na região. Tragédias que envolvem desde homens e mulheres adultas, até adolescentes. Diante deste cenário, ele ressalta a importância de tratar esses assuntos com seriedade e sem tabus. “Existe um mito que se a gente não falar, os números de suicídio vão abaixar. Isso não é uma recomendação. Não falar, silenciar, faz com que novos casos apareçam”, ressalta.

Como prevenir

Robson frisa que a melhor forma de combater o suicídio é por meio do diálogo. “Em última instância, o que leva ao suicídio é uma longa história de sofrimento psicológico”, ressalta. Ele comenta que as pessoas precisam entender a ideia de que quando a depressão acontece, ela é um sofrimento legítimo e deve ser respeitado. Para isso, é necessário desmistificar o discurso de que tudo não se passa de frescura e “mimimi”. “As pessoas subestimam a força do emocional para causar o bem e para aniquilar a pessoa”, compara.

Além da criação de políticas públicas e estimular o debate responsável em torno do assunto, Robson fala que não existe uma fórmula para prevenir o suicídio, mas que pequenos gestos podem contribuir com a luta. Ele ressalta a necessidade de garantir apoio emocional para pessoas, até com momentos simples.

O primeiro passo é perguntar para a pessoa se ela está bem ou se pode fazer algo para ajudar. “Às vezes, só de acolher essa pessoa com atividades simples, como comer ou assistir alguma coisa, se colocar disposto a estar junto com o outro, respeitando a sua condição e o seu sofrimento pode ajudar a aliviar a situação”, conta o psicólogo.

O psicanalista também fala da importância de mudar a matriz de pensamento das pessoas. Como exemplo, ele menciona como a valorização do trabalho está enraizada na cultura em que as pessoas são criadas. “E quando a pessoa perde o trabalho, ou fica endividada, a vida dela perde o sentido. Se ele está endividado, ele não vê mais saída, porque foi educado desse jeito”, compara, frisando a necessidade de mudar essa ideia na criação das pessoas.

Outra forma de buscar apoio emocional pode ser uma ligação gratuita para o número 188. Ele conecta a pessoa a uma rede de voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) espalhados por todo o Brasil, dispostos a ouvir o desabafo de quem está do outro lado da linha, sem julgar. “Às vezes a pessoa não encontra ninguém para ouvir o sofrimento. Ouvir e não julgar e não dizer que o sofrimento dele é menor que um e outro”, reforça Robson.

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