Geral

08/04/2021 11:32

AGRICULTURA

Produtores relatam dificuldade em seguir com cultivo de tabaco em Piên

ALEXANDRE CARVALHO / JORNAL A GAZETA

Hilário e sua esposa Marise contaram que a safra atual foi a pior em mais de 45 anos

Alexandre Carvalho - alexandre@gazetasbs.com.br

Piên

A safra atual do tabaco não foi das melhores. Em Piên, que é destaque nacional no cultivo da planta, muitos produtores estão desanimados e especialistas dizem que a expectativa é redução da área plantada. Além do surgimento de uma nova praga nas lavouras, o preço pago pelas empresas não agrada aos produtores.

Neste ano, conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piên, Agnaldo Martins, o reajuste médio na tabela de compra aos produtores foi de 4,5%, enquanto que o custo de produção, com o aumento no preço dos insumos, ultrapassou os 10%. Além da desvalorização muitos produtores na região somaram outros prejuízos devido à falta de energia elétrica, o prejudica o processo de secagem da planta, ocasionando a perda de qualidade. Por isso, as expectativas apontam para uma das piores safras dos últimos anos. 

O presidente do sindicato disse ainda que, com relação ao preço, algumas empresas até estão pagando um pouco melhor. “Mas, de fato, a situação também está difícil nos preços. Pesquisas de entidades do setor apontam que o custo aumentou entre 8,30% a 9,50% nesta safra, sendo que a média paga aos produtores é de R$ 11 por quilo, o que resulta para a maioria num lucro de apenas R$ 1 e pouco por quilo”, comentou.

Nova praga
O fumicultor Hilário Pires Ferreira, que reside na comunidade de Letreiro, em Piên, disse que o aparecimento de uma nova praga, a qual nunca havia surgido em suas lavouras em mais de 45 anos de cultivo, foi o maior agravante da quebra na produção. A peste mencionada por ele afeta o fumo fazendo com que as folhas murchem e sequem o pé, causando prejuízo. “No meu caso, o custo de produção aumentou em mais de 40%, o lucro diminuiu muito. Esses aumentos, infelizmente, não vemos no reajuste do preço pago aos produtores”, relata.

Por conta do preço que não agrada muitos agricultores e da nova praga que afeta algumas lavouras, Agnaldo ressalta que muitos estão desanimados e falando em diminuir o cultivo na próxima safra e partir para outras culturas. Esta, por enquanto, não será a alternativa de Hilário. “Nesta safra compramos novos equipamentos, então por isso, vamos ter que continuar na cultura, só esperamos que as coisas melhorem, porque não está fácil”, acrescentou o fumicultor.


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