Política

19/09/2019 08:44

CONCUSSÃO E COAÇÃO

Parecer do MP diz que recursos públicos desviados eram para proveito pessoal

Arquivo / Jornal A Gazeta

César Godoy está no Presídio Regional de Mafra desde 21 de agosto

Elvis Lozeiko - elvis@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

Assim como fez na edição de sábado, quando publicou informações sobre o "caso Márcio Dreveck", vice-prefeito de São Bento do Sul pelo PP, A Gazeta passa a publicar, a partir de hoje, detalhes do caso envolvendo o vereador César Godoy (PSB), preso há quase um mês. Ele foi denunciado por concussão, corrupção passiva e coação no curso do processo. A primeira parte da matéria revela que a investigação iniciou a partir de conversas em um grupo do WhatsApp.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Gustavo Muniz Siqueira, já estava demonstrado que Godoy estava recebendo valores de maneira ilícita nos últimos meses. "Ainda que a defesa tente travestir os valores como `contribuições partidárias voluntárias´, essa tese não merece prosperar. O suspeito não apenas exigiu em nome de um partido, o PSB, que sequer possui cúpula constituída, sem presidente ou tesoureiro, como também passou a cobrar em nome do partido que, em tese, iria se filiar, o DEM", relata o delegado.

Em 15 de agosto, o promotor Djônata Winter, do Ministério Público (MP), emitiu seu parecer com relação ao pedido de prisão preventiva feito pelo delegado. "Muito embora Godoy exigisse a contribuição a pretexto de que os valores seriam entregues ao PSB, o vereador sequer possuía algum cargo de direção ou tesouraria da partido político", apontou ele.

"Apurou-se nas investigações que anterior presidente da comissão provisória inclusive orientou os filiados a não realizarem contribuições e, junto ao Cartório Eleitoral, apurou-se que tanto o PSB como o DEM sequer possuem órgão de direção ativo no município, havendo impossibilidade fática de arrecadar contribuições. Ademais, apurou-se também que César estava compelindo o pagamento por parte de servidores que nem ao menos possuíam vínculo ou filiação política com o PSB", expôs.

Manifestando-se favorável à decretação da prisão, o promotor de Justiça afirmou que "ao menor sinal de que seu esquema pudesse ser descoberto, César Augusto Accorsi de Godoy instruiu servidores envolvidos na prática criminosa", expõe, referindo-se às testemunhas que teriam sido coagidas pelo vereador. "Como se vê, César Godoy tem procurado orientar as declarações de vários servidores vítimas da prática criminosa, não sendo apenas um caso isolado", concluiu.

O promotor também comentou a gravidade dos casos: "Demonstram grave violação dos princípios da administração pública e evidente utilização de recursos públicos em proveito pessoal, havendo indicação de pessoas para ocupar cargos comissionados não em função de suas habilidades e competências profissionais, mas sim como forma de desvio de recursos públicos".

Próximos dias

Ao longo dos próximos dias A Gazeta divulga reportagens contendo trechos dos depoimentos prestados por todas as testemunhas à Polícia Civil. A primeira parte trata sobre a prisão do vereador e a matéria pode ser lida na íntegra no jornal impresso desta quinta-feira (19). Você também pode assistir, na íntegra,  o depoimento do vereador.

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