Geral

19/10/2020 11:32

PRESERVAÇÃO

Paleotocas podem ter sido construídas por tatus gigantes em Rio Negrinho

CHRISTIAN HACKE / JORNAL A GAZETA

Paleotocas podem ser vistas em alguns pontos de Rio Negrinho

Christian Hacke - christian@gazetasbs.com.br

Rio Negrinho

Rio Negrinho esconde uma parte importante de sua história, algo que poucas pessoas conhecem. Chamadas de paleotocas, estas cavernas encontradas próximo da linha do trem, na região central, estão repletas de informações sobre como era o nosso território há cerca de 40 mil anos. A curiosidade leva muitos aventureiros até estas tocas, mas é preciso tomar uma sério de cuidados no local.

O professor Dr. Luiz Carlos Weinschütz, coordenador do Centro Paleontológico (Cenpaleo) de Mafra, explica que as estruturas presentes em Rio Negrinho já são conhecidas há um bom tempo. Muito se discute sobre a origem dessas estruturas, com teorias que passam pelos jesuítas até animais gigantes.

"Essas paleotocas, embora tenham muitas dúvidas de quem fez elas, alguns acharam que eram indígenas, mas muito provável nossos índios antigos habitaram ali, porque tinham um abrigo pronto. Eles no máximo usaram isso. Na região do estado temos achado algumas paleotocas com escrituras que são fantásticas", disse. 

Weinschütz acredita que as tocas em Rio Negrinho tenham sido feitas por animais da megafauna, que viveram há pelos menos 10 mil anos. "Principalmente por um grande grupo chamado de xenarthra. Dentro desse grupo haviam dois subgrupos, ou seriam os preguiças gigantes ou os tatus gigantes, que foram extintos. Pelo formato dessas paleotocas de Rio Negrinho, muito provavelmente foram feitas por tatus. Isso é uma análise muito breve, precisam muito mais dados pra isso", explica.

Os arquitetos
Esses tatus gigantes eram mamíferos característicos da paleofauna da América do Sul, onde se originaram, e lembravam os tatus atuais, entretanto eram bem maiores. Esses animais, atualmente extintos, estão classificados na ordem Xenarthra e surgiram na América do Sul há cerca de 37 milhões de anos, migrando posteriormente para outras partes do continente. Sua extinção ocorreu no último período glacial, junto ao restante da megafauna.

Conforme as pesquisas, uma espécie de tatu gigante teria sido responsável pelas tocas

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