Geral

17/01/2020 14:22

SINAL DE ALERTA

OPINIÃO: Sem resultado dos exames, quem está pensando nos bugios?

Divulgação

Mais um macaco foi encontrado morto em Rio Negrinho, nesta semana

Da redação - editoria@gazetasbs.com.br

Região

Desde o começo do ano até agora, já foram encontrados mortos mais de 10 macacos do gênero Auloatta, também conhecidos por bugio. Apenas quinta-feira (16), foram encontrados um bugio em São Bento do Sul e outro em Rio Negrinho, além de dois em Piên e dois em Campo Alegre, sendo que um deles ainda não teria sido localizado pela Vigilância Sanitária do município.

Como se passou apenas metade do mês de janeiro, o número de bugios encontrados mortos na região pode ser considerado preocupante, pois em dezembro todo do ano passado também foram localizados quatro macacos sem vida. Um quinto animal ainda foi encontrado na localidade de Rio Mandioca, com diversos ferimentos.

Os bugios têm sido considerados termômetros para indicar a possível presença do vírus na região, pois os animais são tão vítimas da doença quanto os humanos. Mas, de oficial, nenhum exame laboratorial confirmou que a causa das mortes dos macacos tenha sido realmente o vírus da febre amarela. O laboratório em Florianópolis leva meses para divulgar os resultados.

Tamanha demora na emissão dos laudos para possível confirmação é inaceitável, especialmente quando se fala que a região é área de risco. O mínimo que se espera das autoridades neste caso é uma pronta resposta para a situação. Isso tudo sem contar o outro lado da história. Afinal, se por ventura não seja o vírus da febre amarela matando os macacos, alguém já parou para pensar o que pode ser? Os bugios vão continuar simplesmente morrendo?

Mais que uma questão de saúde pública, a situação merece uma preocupação ambiental. Obviamente que ninguém vai sair por aí vacinando os bugios contra a febre amarela, mas não há nada mais a ser feito para evitar a mortandade dos animais? Ou simplesmente o que resta é cruzar os braços e esperar que toda população de macacos da região morra? E depois que eles se forem, quem será o “termômetro”?

E antes que algum esperto por aí ache que é melhor matar os macacos por conta da doença, fica o registro: os bugios são tão vítimas da doença quanto os humanos. Eles não passam o vírus pra ninguém, quem passa é um mosquito infectado. Os macacos morrem doentes, da mesma forma que os humanos podem morrer, pois em pessoas não vacinadas, estima-se que 40% das infectadas podem morrer. Portanto, quem não se vacinou, pode ir procurando um posto de saúde.

Fique atento
Caso alguém encontre algum macaco morto, a recomendação é que o animal não seja tocado. Em Rio Negrinho, a Vigilância Epidemiológica deve ser comunicada. O telefone de contato é o 3646-4125. Já em São Bento do Sul, caso algum macaco seja encontrado, a Vigilância Sanitária deve ser acionada. O telefone é o 3635-2228. E em Campo Alegre, o contato pode ser feito com a Vigilância Sanitária, pelo telefone (47) 3632-1621, ou a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, pelo telefone (47) 3632-1406. 

Todos os detalhes sobre a situação dos bugios encontrados mortos na região estarão disponíveis em reportagem especial no jornal impresso deste sábado e domingo (18 e 19).

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