Geral

23/03/2021 18:00

ESPECIAL CORONAVÍRUS

Mudança de vida: Em meio à pandemia, eles se tornaram pais

ANNA CAROLINA AZÊDO / JORNAL A GAZETA

Andreos e Gisele com o pequeno Odin

Layra Olsen - layra@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

No dia 23 de março de 2020, nasceu Odin Hey. Fruto de uma gravidez aguardada, mas, ao final, impactada pela Covid-19. Além de todas as transformações inerentes a maternidade e dos medos naturais que afligem os pais de primeira viagem, Gisele Eiselt Hey e Andreos Nickson Hey tiveram que se adaptar ao cenário de afastamento social e uma série de preocupações extras gerada pela pandemia.

As últimas semanas de gestação foram apreensivas, principalmente com as indagações geradas daquilo que é invisível aos olhos. “Ninguém sabia o que iria acontecer”, lembra Gisele. O parto ocorreu na rede privada poucos dias depois que o Governo do Estado decretou situação de emergência por conta da infecção viral.

Apesar do cenário de emergência, ela se sentiu segura dentro da unidade hospitalar. O que lhe chamou a atenção, porém, foi a paramentação dos profissionais. “Parecia que eu estava na Nasa”, lembra, referindo-se ao excesso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e a constante higienização dos espaços, ferramentas e das mãos.

Os primeiros dias pós-parto também foram bem diferentes e incomuns. Gisele não pôde receber visitas no hospital e, em casa, não compartilhou os primeiros banhos, os primeiros choros e sorrisos com os familiares. As lembrancinhas preparadas com tanto esmero para a data, tiveram que esperar.

O casal saia de casa apenas para realizar tarefas essenciais. “Posto de saúde, pediatra e a farmácia”, lembra. O medo, afinal, não era só pelo filho, mas pela mãe de Gisele que convive na mesma residência.

Foram três meses de completo afastamento físico para preservar todos os envolvidos. Aos poucos, eles começaram a dar mais abertura a parentes e amigos. “Continuamos cuidando, só que o pânico e a angustia diminuíram”, diz.

Andreos explica que o maior medo era de que o filho estranhasse o convívio social e isso pudesse afetar o seu comportamento e a sua infância, pois ficou 90% do tempo em casa. Felizmente, isso não aconteceu. Eles garantem que o menino consegue ter uma boa abertura sempre que um “desconhecido” se aproxima. No entanto, ainda sentem falta de uma escola, de um espaço que permita ao garoto se cercar de novas experiências.

Rotina

O novo coronavírus não gerou reflexos apenas no convívio familiar. Após sete anos atuando no setor financeiro de uma empresa, Gisele teve que se desligar da sua função. A princípio, a licença maternidade encerraria em agosto, mas, como as aulas seguiam suspensas, ela não tinha com quem deixar o menino. “Hoje vivo na função de ser mãe, 100% do meu tempo é para ele. Teve que ser assim, não tinha outra alternativa”, declara.

Sem creches, Gisele dedica 100% do tempo em ser mãe

Gisele conta que o seu serviço foi centralizado para Florianópolis e não havia a opção de adotar o esquema home office. Gisele não imaginou, no entanto, que sentiria tanta falta do convívio externo e da busca pela produtividade. “Sinto falta de trabalhar. Foi um período importante ficar com ele, pude acompanhar o seu crescimento e evolução, só que preciso de uma rotina para mim, preciso conversar com outras pessoas, ter contatos”, confessa.

Já o marido, Andreos, teve autonomia para adotar o trabalho remoto. “Peguei férias e logo depois entrei em home office. Como sou Analista de Plano de Controle de Produção (PCP) há uma abertura maior. Não tem necessidade de estar na empresa todos os dias”, diz. Além de que, estar perto do filho, deixa o ofício ainda mais leve.


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