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12/06/2018 12:22

COMBUSTÍVEL

GNV é realmente mais econômico? Veja a opinião de quem usa o combustível

Matheus Müller / Jornal A Gazeta

Abastecimento do combustível é por meio de redes canalizadas

Matheus Müller - matheus@gazetasbs.com.br
São Bento do Sul

A greve dos caminhoneiros, que parou o país por mais de uma semana, trouxe novamente à tona a questão envolvendo a dependência excessiva da gasolina e até do etanol, mas como os combustíveis ficaram em falta em praticamente todo o Brasil, o Gás Natural Veicular (GNV) voltou a figurar como uma opção para abastecer os veículos. Enquanto a maioria dos motoristas sofreu com a falta de combustível, aqueles que utilizam GNV não sentiram a situação em nenhum momento. Isso ocorreu pelo fato dos postos serem abastecidos com o combustível por meio de redes canalizadas, o que garantiu o seu fornecimento contínuo e ininterrupto.

Quanto aos comentários de que o GNV danifica os componentes do veículo, o coordenador do Núcleo de Automecânicas da Associação Empresarial (Acisbs), Valdir Taborda Ribas, destaca que isso não passa de mito. “O desgaste é o normal, como se fosse qualquer outro combustível. A manutenção também é a mesma”, detalha.

Ele lembra que a partida do carro segue sendo feita no combustível original, e que dessa forma o carro tem que estar com tudo em dia para o GNV funcionar. Além disso, ainda é possível utilizar gasolina ou etanol para abastecer o carro normalmente se o proprietário do veículo desejar.


Documentação


Um ponto importante dos veículos que rodam com GNV é a documentação diferenciada. Durante a instalação do kit, o proprietário do veículo recebe um requerimento, que deve ser reconhecido em cartório, e levado até o departamento de trânsito na delegacia, onde se obtém uma autorização para inspeção do veículo.
Com a autorização em mãos, é necessário levar o veículo já com o GNV instalado para um ponto autorizado pelo Inmetro, onde é realizada uma vistoria completa. Estando tudo em dia, basta levar a documentação novamente na delegacia para emitir um novo documento, onde constará o GNV. O motorista ainda recebe um selo que atesta a liberação, e que deve ser apresentado nos postos sempre na hora de abastecer. O documento deve ser renovado anualmente, inclusive com a vistoria.

Custos e economia
Um dos principais atrativos para quem procura o gás veicular é a economia de combustível, já que o GNV tem um rendimento de até 30% a mais que a gasolina ou o etanol. “Se o carro faz 10 quilômetros por litro com o combustível original, com o GNV ele vai fazer 13 por metro cúbico”, detalha Ribas. A vantagem é ainda maior levando em conta o preço atual dos combustíveis. Pois enquanto o m³ do GNV custa em média R$ 2,25, o litro da gasolina não sai por menos de R$ 4,19.

Taborda detalha que o custo médio para instalação do kit de GNV é de pouco mais de R$ 4,5 mil, para veículos populares. O cilindro é instalado no porta-malas ou na parte de baixo do veículo, dependendo do carro. Já na frente, vai todo o sistema, como redutor, central, válvulas, entre outros, que garantem o funcionamento regular do veículo.

A opinião de quem tem
O representante comercial Antônio Junckes é um dos que apostou no GNV e não se arrependeu da mudança. Ele instalou o kit no seu Celta no final de fevereiro, e vem controlando seus gastos, satisfeito com os resultados apresentados nos primeiros três meses fechados.

Neste período, ele rodou pouco mais de 3,5 mil quilômetros ao mês, com uma média superior a 18 quilômetros percorridos por metro cúbico de GNV, totalizando um gasto mensal médio de R$ 410. Levando em conta quanto ele gastava anteriormente com gasolina, sua economia mensal supera os R$ 450, valor suficiente para pagar a mensalidade da instalação do kit gás.

Junckes recomenda o uso do combustível, principalmente para aqueles motoristas que utilizam muito o carro. “Vale a pena”, cita, lembrando a importância da busca por um kit de qualidade, instalado em uma oficina profissional e de confiança. “A mecânica também deve estar em dia, é preciso fazer manutenção como em qualquer outro carro”, completa.

Airton Marciniak também é representante comercial e instalou o kit de GNV na sua S-10 há aproximadamente um mês. Ele conta que sempre teve a ideia de investir no equipamento, e que tomou a decisão por indicação de seus amigos. Um deles, dono de uma Strada, tem GNV no carro há oito anos, sem nunca dar problema. “Ele instalou com 27 mil quilômetros rodados, e agora o carro está com 207 mil”, conta.

Apesar do pouco tempo utilizando o GNV, Marciniak destaca que já vem sentindo a diferença no bolso, com uma economia estimada de 50% no gasto com combustível. Ele lamenta apenas a falta de apoio do governo quanto ao gás veicular, citando que em algumas regiões catarinenses e na maioria do Rio Grande do Sul não existem postos que abasteçam GNV. “Está faltando incentivo”, reforça.

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