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19/03/2020 11:12

CORONAVÍRUS

Ex-morador de São Bento na Itália relata situação crítica vivenciada no país

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Jeimis morou três anos em Serra Alta

Elvis Lozeiko - elvis@gazetasbs.com.br

Internacional

Ele morou três anos em São Bento do Sul, mais especificamente no bairro Serra Alta, onde estudou nas escolas Frederico Fendrich e na Professor João Ropelato. Ex-funcionário da Lírio Propaganda, Jeimis Rafael de Lima e Silva Fuzinato, hoje com 32 anos, reside na cidade de Trento, norte da Itália, o segundo país mais afetado pelo coronavírus, atrás somente da China, onde surgiu a pandemia. Somente quarta-feira (18), 475 pessoas morreram na Itália, e, ao todo, são 28,7 mil infectados. Na região de Trento, são 802 casos confirmados, com 16 mortes já registradas.

Jeimes contou para A Gazeta a situação na cidade de 120 mil habitantes, a qual tem – ou tinha – no turismo e nos polos universitários a sua força econômica. Nascido em Joinville, com avós em solo são-bentense, Jeimes está há 15 anos na Itália, atualmente trabalhando em uma central operativa de emergências, que presta atendimento a estruturas públicas como escolas, hospitais e outros.

Por isso, ele tem um documento que o autoriza a sair às ruas, o qual tem que necessariamente ser apresentado aos policiais. "Eles (os policiais) fazem uma investigação na hora mesmo. Se a pessoa sai sem justificativa ou apresenta uma declaração falsa, é multada e pode ir para a cadeia", relatou. A multa varia de 220 a 3 mil euros, algo em torno de R$ 1.230 a R$ 16,8 mil.

Todo esse cuidado tem sua razão de ser. "Aqui não temos mais nem lugares para enterrar as pessoas", explicou Jeimes, falando dos efeitos da Covid-19, como a enfermidade foi oficialmente denominada. O ex-morador de São Bento do Sul disse que as pessoas, de maneira geral, estão todas isoladas em suas casas. "Está praticamente tudo fechado aqui, como bares, hotéis, etc. Somente supermercados e farmácias estão abertos", comentou.

Brasil desinformado

"A respeito do Brasil, o que vemos daqui é que é há muita ignorância e pouca informação. O Brasil não tem noção do que está para acontecer. Podemos garantir que o negócio é sério e que vai matar", relatou. Segundo Jeimes, o maior problema em si não é a doença. "O problema é não ter lugares nos hospitais para tratar as pessoas", observou. Na região em que ele mora, ex-hospitais de guerra estão sendo reabertos para aumentar a capacidade de atendimento. "O vírus não brinca, ele mata mesmo. Não é só uma gripe", alertou.

Confira o relato completo no jornal impresso desta quinta-feira (19).

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