Política

20/09/2019 08:16

CONTRIBUIÇÕES

Diretor do Detru recebeu voz de prisão por falso testemunho no caso Godoy

Arquivo / Jornal A Gazeta

Prado Lima decidiu "contar toda a verdade" após receber voz de prisão

Elvis Lozeiko - elvis@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

O testemunho de servidores comissionados foi fundamental para o delegado Gustavo Siqueira Muniz, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de São Bento do Sul, entrar com o pedido de prisão preventiva do vereador César Godoy (PSB). Conforme o delegado, Márcio do Prado Lima, diretor do Departamento de Trânsito Urbano (Detru) de São Bento do Sul, no dia 9 de agosto negou ter recebido qualquer pedido ou exigência de pagamento de “contribuições voluntárias”.

Porém, logo depois o nome dele foi localizado em uma lista enviada por Godoy ao assessor Leonardo Rosá Flenik. Chegou ao conhecimento da Polícia Civil que Prado Lima, Godoy e Paulo Zwiefka reuniram-se no Detru antes da busca e apreensão na Câmara de Vereadores. Os policiais inclusive acessaram as imagens das câmeras de monitoramento do Centro de Vigilância à Saúde (CVS), que fica em frente ao Detru, para confirmar que o vereador esteve no local.

Imagens de câmeras de segurança foram anexadas ao processo de investigação

O encontro, segundo o delegado, teve o objetivo de "formatar" o teor do depoimento de Prado Lima, marcado para o mesmo dia do cumprimento da busca e apreensão na Câmara. Zwiefka, porém, garante que foi ao Detru verificar os procedimentos para recorrer de uma multa de trânsito.

Segundo Gustavo Muniz, o diretor do Detru, novamente na delegacia, no dia 14, ocultou a verdade sobre os valores pagos e mesmo sobre o teor da reunião, ainda que tenha confirmado o encontro. O delegado, diante do ocorrido, disse que Prado Lima estava preso em flagrante por falso testemunho, mas que poderia eximir-se da punição "caso se retratasse das alegações falsas", momento em que o diretor do Detru afirmou que "diria toda a verdade". No novo depoimento, Prado Lima confirmou que passou "contribuições" de R$ 290 em duas ocasiões ao assessor de Godoy.

No primeiro depoimento, o diretor do Detru disse que em setembro de 2017 foi chamado por Paulo Zwiefka para assumir o cargo, afirmando que não foi Godoy quem o indicou. Prado, então, resolveu se filiar ao PSB. Conforme o diretor, foi Zwiefka a pessoa que sempre falou da necessidade de contribuir com o partido. Mas, como o PSB estava "rachado", não houve mais solicitações, revelou Prado.

O diretor do Detru contou que haveria uma "migração para o DEM", inclusive ele próprio assinando com a nova sigla, cuja ficha foi entregue ao assessor de Godoy. De acordo com o diretor, as "contribuições" seriam reativadas assim que as filiações fossem efetivadas. Conforme um dos depoimentos, Godoy afirmou em "tom incisivo" que Prado Lima teria que negar perante a polícia ou na Justiça qualquer valor pago a ele como "contribuição".

Prado Lima disse ao delegado que se arrependeu de ter omitido a verdade inicialmente, "pois possui vida e carreira ilibadas, mas se sentiu pressionado e induzido pela posição política de Godoy no partido e na administração". Por fim, Prado Lima afirmou que conhece a fama de vereador em perseguir desafetos, o que, segundo ele, é de conhecimento geral na administração pública.

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Nas próximas edições, A Gazeta apresenta detalhes de outros depoimentos e novas informações sobre o "caso Godoy", inclusive o depoimento do vereador na delegacia. Você pode ler a matéria na íntegra no jornal impresso desta sexta-feira (20).

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