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10/12/2019 11:11

ECONOMIA

Confira os impactos que o dólar alto causa para a indústria da região

Divulgação

Exportações estão favorecidas com atual patamar do câmbio

Elvis Lozeiko - elvis@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

O dólar alto, que tem permanecido acima dos R$ 4, tem várias consequências. O cluster moveleiro de São Bento do Sul e região, que destaca-se pelas suas exportações, naturalmente também sente os impactos. "O dólar mais forte deixa as empresas exportadoras, principalmente as do setor moveleiro, mais competitivas", atesta o presidente do Conselho Administrativo da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), empresário são-bentense Daniel Lutz. "Contudo, esse benefício logo é consumido pela renegociação de preços por parte dos importadores e com o aumento das matérias-primas", pondera.

Para Lutz, diante da conjuntura, é muito difícil falar sobre a relação entre o dólar e o real no curto e no médio prazos. "São muitos fatores externos, internos e imprevisíveis que comandam essa relação", aponta. Nesse aspecto, ele observa o que houve em anos anteriores. "A forte queda do dólar quase acabou com as empresas exportadoras de móveis da região", lembra. "Ou seja, essa grande variação é sempre um problema para o planejamento financeiro de qualquer setor", diz.

"Quem exporta ouve muito o seguinte: `Esse pessoal está ganhando muito dinheiro´. Mas a realidade não é essa", lembra o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil), Fernando Hilgenstieler. "Com o dólar baixo em anos anteriores, as exportadoras sofriam muito com a variação do câmbio, o que afetava diretamente o fluxo de caixa destas empresas, que muitas vezes tinham prejuízos no produto que estava sendo exportado", relata. Agora, com o dólar mais alto, este fluxo de caixa começa a se recompor, dando mais fôlego para investimentos, contratações e ampliações, por exemplo.

O impacto do dólar alto é diferente para quem depende exclusivamente do mercado interno, comenta Fernando. Ele expõe que as empresas sofrem com o aumento de algumas matérias-primas que estão atreladas à moeda americana. "Se o dólar sobe, o tecido importado ou os insumos que dependem de matéria-prima importada também sobem", exemplifica. Por outro lado, Fernando registra que, quando o dólar baixa, "nem sempre o valor final do produto importado baixa na mesma proporção".

Indústria prejudicada
O presidente do Sindusmobil entende que várias questões têm prejudicado o setor industrial como um todo. "Como, por exemplo, a alta carga tributária, o custo sobre a folha de pagamento, os problemas de infraestrutura e a má gestão do dinheiro público, sem contar toda a roubalheira que parece não ter fim", relata Fernando.

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