Geral

05/03/2014 10:58

DIA DO FILATEISTA

Atividade vai além da coleção de selos

Elviz Lozeiko

Wilson de Oliveira Neto, 35 anos, professor de História e como hobby, coleciona selos.

Elvis Lozeko - elvis@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

Há mais de 150 anos, pessoas do mundo inteiro praticam o estudo e o colecionismo de selos postais e materiais relacionados. Entre os filatelistas – como são chamados – que hoje comemoram o seu dia, está Wilson de Oliveira Neto, 35 anos, professor de História da Univille e do Colégio Global. Wilson é de Joinville, mas mora em São Bento do Sul desde 2008, no Centro. “Nasci em uma família de filatelistas”, conta ele, lembrando que, quando o bisavô faleceu, deixou o acervo à disposição.

Além da ligação com a Associação Filatélica de Joinville, fundada em meados da década de 1940, Wilson cresceu em um ambiente propício a um filão específico: a chamada filatelia alemã. Influenciada pela imigração, a troca de cartas foi constante entre os mais novos moradores da região e os familiares e conhecidos que ficaram na Europa. Wilson chegou a deixar a atividade de lado por um tempo, mas voltou à ativa depois de se formar.


Antigos e recentes


O material filatélico mais antigo de Wilson é datado de 28 de outubro de 1928. Trata-se de uma correspondência civil transportada em pleno voo teste do dirigível LZ 127 Graf Zeppelin, entre a Alemanha e os Estados Unidos. Entre os mais recentes, um bilhete postal de 10 de junho de 1995 que foi remetido de Stuttgard para Joinville, com conteúdo comercial.


Organização


O filatelista utiliza alguns acessórios: o classificador (álbum no qual os selos são colocados em ordem cronológica) e a pinça (tipo bico de pato, em aço inoxidável, para manuseio dos materiais).

Aliás, a filatelia foi um fator determinante até mesmo para a escolha da graduação. “Para colecionar selos, a pessoa tem que ter conhecimentos não apenas sobre história, mas também sobre geografia e línguas”, explica. Terminada a faculdade, ele começou a se especializar na filatelia alemã propriamente dita e na história postal. Entre os períodos que se destacam na coleção de Wilson está o da II Guerra Mundial. “A qualidade dos selos é muito grande”, relata. O material do professor, contudo, remonta a um período anterior à guerra, com a chegada de Adolf Hitler ao poder, em 1933, prosseguindo até 1945. “Como historiador, eu estudo esse período. A filatelia é um convite ao estudo e um hobby muito interessante”.

Olimpíadas e Mozart

Wilson tem centenas de selos do período entre 1933 e 1945. A propósito, quanto mais a data do material se aproxima do ano em que a Alemanha se rendeu, maior o valor histórico do selo. O professor tem em sua coleção selos que apresentam notável qualidade, embora tenham mais de 70 anos de existência. O acervo do professor tem, por exemplo, materiais emitidos durante os Jogos Olímpicos de Berlim (1936) e durante as comemorações do aniversário de 150 anos da morte do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1941). Contudo, mesmo correspondências que não estavam diretamente ligadas à guerra acabaram, de alguma forma, afetadas.


Saiba mais


O professor tem um blog, o www.minhacolecaodeselospostais.blogspot.com.br. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos tem uma seção sobre a atividade, o www.correios.com.br/filatelia. Já o endereço da Federação Brasileira de Filatelia é o www.febraf.net.br

Um exemplo é a carta de condolências que Wilson comprou em Gante, na Bélgica. Escrita em francês, a correspondência de 31 de março de 1940 foi interceptada pelo exército alemão. Sabe-se que o material passou pelo serviço de controle devido à tarja preta existente no envelope e ao número de registro do censor. “Foi uma atividade de censura postal”, resume o professor, que enaltece o fato de ter encontrado o material completo, com carta e tudo. “Geralmente consegue-se apenas o envelope vazio”, esclarece.

Mercado, eventos e encontros

Conforme o professor, o mercado filatélico brasileiro ainda é pequeno, apesar de o País ser a segunda nação do mundo a emitir selos, em 1843. O filatelista consegue materiais por meio de doações, compras ou trocas. “Há para todos os bolsos e gostos”, informa Wilson, lembrando que, em São Bento do Sul, já existiu um clube do gênero. “Havia uma vida filatélica agitada na cidade”, conta.

Entre os próximos compromissos dos filatelistas há eventos em Lorena/SP e em Florianópolis, respectivamente no primeiro e no segundo semestres. Wilson costuma participar, uma vez por mês, dos encontros da Associação Filatélica de Joinville, que realiza reuniões aos domingos, na Cidadela Cultural Antarctica.

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