Política

20/09/2019 11:00

CONTRIBUIÇÕES

Assessora sem filiação chegou a ser pressionada a contribuir com Godoy

Elvis Lozeiko / Jornal A Gazeta

Testemunha prestou depoimento na Delegacia no dia 15 de agosto

Elvis Lozeiko - elvis@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

O testemunho de servidores comissionados foi fundamental para o delegado Gustavo Siqueira Muniz, da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de São Bento do Sul, entrar com o pedido de prisão preventiva do vereador César Godoy (PSB). Os depoimentos revelaram vários detalhes à autoridade policial. Aquele que pode ser considerado o mais contundente foi o de Thaíza Christine Aleks, que trabalha como assessora legislativa na Câmara de Vereadores, já tendo atuado, também, como assessora parlamentar do próprio Godoy.

Em 14 de agosto, uma semana antes da prisão do vereador, ela disse que foi indicada por ele, apesar de não ser filiada a nenhum partido, ainda que Godoy tenha lhe ofertado a filiação ao PSB. Em abril deste ano, o assessor do vereador, Leonardo Rosá Flenik, procurou Thaíza para dizer que Godoy "estava pedindo contribuições para a eleição". Estranhando o pedido, ela disse que falaria pessoalmente com o parlamentar, porque ele teria dito em 2018 que não se candidataria mais.

Thaíza disse que questionou Godoy por WhatsApp e ele respondeu que seria uma contribuição partidária prevista em estatuto. Segundo ela, o vereador afirmou que não haveria necessidade de se filiar, e que detentores de cargos em comissão teriam que contribuir independentemente de filiação. Ela explicou na delegacia que conhece o estatuto do partido, sabendo que apenas filiados deveriam contribuir, "identificando, assim, uma mentira de Godoy". De qualquer forma, a assessora questionou se o percentual de contribuição seria de 4%, e o parlamentar, conforme ela, afirmou que o assessor Leonardo a procuraria.

Posteriormente, via áudio de WhatsApp, de acordo com Thaíza, Godoy alegou que em determinada ocasião Ivanor Varella (presidente da última comissão provisória do PSB) estaria se apropriando de tal valor. Em outro áudio, segundo a assessora, o vereador alegou que "seria obrigação" dos comissionados recolherem os valores, deixando a impressão de que seria demitida se não adotasse o procedimento. "De todos os comissionados que foram indicados pelos vereadores, você foi a única que recebeu a notícia com reservas", apontou Godoy, de acordo com ela, em uma nova mensagem. Thaíza relatou que Godoy chegou a apagar mensagens, "algumas mais comprometedoras".

Comitiva estadual interviu

A assessora acrescentou no depoimento que lideranças estaduais do partido ficaram sabendo das cobranças, inclusive com a emissão de um comunicado para que ninguém cumprisse qualquer determinação pessoal de qualquer filiado. Tendo liberado à polícia o acesso ao seu telefone celular, para obtenção de áudios e mensagens, Thaíza ainda esclareceu que, no grupo de WhatsApp dos comissionados do PSB, Godoy questionou a legitimidade de quem teria publicado a nota, no caso, Ivanor Varella. Após isso, segundo ela, não houve mais cobranças. 

Tem mais
Nas próximas edições, A Gazeta apresenta detalhes de outros depoimentos e novas informações sobre o "caso Godoy", inclusive o depoimento do vereador na delegacia. Você pode ler a matéria na íntegra no jornal impresso desta sexta-feira (20).



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