Geral

29/03/2021 18:00

UM ANO DE BATALHA

Após 11 meses, pandemia trouxe novos desafios para a educação

MATHEUS MÜLLER / JORNAL A GAZETA

Alunos estavam ansiosos para retornar às salas de aula

Layra Olsen - layra@gazetasbs.com.br

São Bento do Sul

Os estudantes retornaram às salas de aula em fevereiro, depois de 11 meses longe do ambiente escolar. Cada família teve autonomia para fazer a sua escolha. Quem quisesse, poderia continuar com o ensino à distância. Já aqueles que optaram pela modalidade presencial, ganharam novos companheiros: a máscara e o álcool em gel.

Na Escola São Bento, os alunos chegaram apreensivos e tomados pela saudade. A medida que subiam as escadas, o medo se dissipava. Eles não puderam trocar abraços, mas se sentiram acolhidos da mesma forma. Ver o colega, estar no mesmo local que o melhor amigo e ouvir a voz do professor, proveu a tranquilidade que eles tanto precisavam.

Primeiras semanas tiveram reforço das medidas sanitárias

As instituições abriram as portas depois que o Governo de Santa Catarina sancionou uma lei considerando as aulas presenciais na educação como atividade essencial. A partir daí, foi uma corrida contra o tempo para organizar as turmas, delimitar o distanciamento entre as carteiras e tantas outras exigências para garantir a segurança de todos os envolvidos.

Mais de um mês depois, os gestores manifestam satisfação e orgulho pelo que vem sendo construído. A diretora, Cristiane Liebl Duarte, conta que os alunos estão retomando os conteúdos tão necessários para o processo ensino-aprendizagem se efetivar. “Dizer que está sendo fácil, não podemos, pois a ansiedade e a insegurança estão presentes a cada começo de dia, mas com a colaboração das famílias, dos estudantes, dos professores e da equipe administrativo-pedagógica superamos nossos limites e vencemos, um dia após o outro”, afirma.

Show de cidadania

Na Escola Presidente Castelo Branco, da rede municipal, as crianças têm dado um show de cidadania. "Eles mostram muito conhecimento das normas sanitárias. É bonito ver como levam a sério a questão", revela a diretora, Márcia Sueli Weiller.

Ela lembra que a unidade fez todas as adaptações necessárias, inclusive com demarcação de espaços em áreas comuns, no pátio. Apesar da estrutura limitada, tendo salas de aula com 48 metros quadrados, conseguiram acomodar 16 alunos por turma de forma segura, com o devido distanciamento social. "Tivemos a colaboração de todos os funcionários, em todos os quesitos. Estava muito apreensiva para o retorno, porém, foi mais tranquilo do que imaginava", avalia.

Nestas primeiras semanas de atividade presencial, a direção se deparou com poucos casos de Covid-19 envolvendo a equipe pedagógica. Quanto aos estudantes, nenhum positivou até o momento para alívio da comunidade escolar.

Primeiro mês com balanço positivo

A gerente Regional de Educação, Leda Munhoz Odia explica que os primeiros dias foram importantes para que alunos e funcionários pudessem se adequar aos novos regramentos. Ela conta que se surpreendeu com o resultado e com o apoio dos pais. "Há uma colaboração de ambas as partes", ressalta.

Para Leda, a modalidade que prevê alternância "tempo casa, tempo escola" tem gerado frutos positivos. "O relato dos professores é de que essa possibilidade está contribuindo com a retomada do conteúdo do ano passado, além de fornecer proteção", diz.

O grande desafio, contudo, ainda é garantir o segurança integral dos educadores. Ela lamenta que a classe não tenha recebido o imunizante contra a Covid-19. Mesmo assim, insiste na importância de manter as escolas abertas, o que permite aos servidores voltar às suas posições de ensino, aos pais e mães estruturar o trabalho e aos alunos retomar a aprendizagem.

O Secretário Municipal de Educação de São Bento do Sul, Josias Terres, também faz um balanço positivo deste primeiro mês. "Superou as nossas expectativas. Temos muito orgulho quanto a isso e estamos recebendo elogios quanto a disciplina", declara.

Gestores acreditam que escola é um ambiente controlado

Josias, aliás, acredita que a escola não é um local de proliferação do vírus, pelo contrário. Com todas as medidas sanitárias adotadas, os estudantes sentem-se mais amparados do que na rua, no bairro ou até mesmo junto a familiares.

Enquanto não há previsão em relação ao fim da pandemia e doses de vacina para atender todos os grupos, as instituições terão que aprender a conviver com o novo coronavírus. Por isso, foi montado um protocolo com ações a serem executadas no caso de suspeitas de contaminações. "Vamos nos deparar com quadros isolados ou de ter que fechar a turma preventivamente", comenta, ciente das possibilidades.


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